terça-feira, 12 de maio de 2015

Consumado, nunca haverá qualidade

É uma daquelas coisas que vinha dizendo nas intervenções anteriores, relacionadas com o que estava andar mas sem pernas para tal e o que não estava andar tem pernas mas não tem cabeça, mas que aos olhos dos que não se importam se tem ou não cabeça ou pernas, ou até mesmo ambas coisas, sendo que o resultado é o desejado, está andar.

Olha, me espantei se não mesmo furioso fiquei, quando daquela vez presenciei o cenário de abuso ao professor por um aluno na companhia da sua advogada (a pedagógica), mimos aos alunos pela camada dos chefes, falta de respeito aos docentes e as excursões do chefe feitas de sala em sala, em plena realização das avaliações provinciais, estando este sob efeitos de droga, onde os efeitos desta festa poluíram o recinto escolar incluindo a sala dos professores na altura fechada, sendo que de tão famosa até caiu em forma de tomada de nota neste blogue.

Foi um facto que não acreditei por viver numa escola onde outrora foi um verdadeiro centro de educação e exemplar a nível da província desta parcela da pátria amada, mas depois fiquei calmo quando meus pares (queridos professores) durante o bate boca na sala dos professores concluíram que eu ainda não tinha visto nada, mas que devia saber que aquilo (a escola) virou de pernas para o ar.
Mas na verdade a realidade da escola verificou-se no dia do conselho de avaliação do primeiro trimestre (vulgo conselho de notas). 

Ahh, aqui foi mesmo para ver tudo o que não espera, a mascara dos chefes caiu, para além da incapacidade, não passam de indivíduos que assumiram aquelas responsabilidades para saírem da pobreza; aqui já não me importa e muito menos me espanta saber como chegaram àqueles cargos que julgo serem muito delicados.

Quer dizer, não esperava iniciar um conselho de notas sem o secretariado completo, refiro-me do presidente, secretario e vogal e muito menos os membros ligados aos aspectos pedagógicos, refiro-me da directora adjunta pedagógica ou mesmo o director da escola e em último nível (o mais baixo) o director de classe. Olha, foi uma verdadeira brincadeira e abuso ao estado. A título de exemplo vou descrever com breves exemplos o que aconteceu la:

- Apareceu um contínuo na sala onde iria decorrer o conselho e deixou as pautas com o resto de material (livros de turma, esferográficas, canetas etc) e foi-se;
- Uma (1) hora depois, aparece o mesmo contínuo, trazendo o recado de que já podíamos iniciar o conselho;
- O conselho iniciou apenas com dois (2) professores, sem a respectiva estrutura como disse num dos parágrafos acima, preencheu-se as pautas, mas tudo ficou limitado porque tinha apenas cadernetas de duas (2) disciplinas. De salientar que os directores das tais turmas não estavam presentes ainda;
- Quarenta e cinco (45) minutos depois, foram aparecendo os professores e cada um passava as notas na pauta pessoalmente, por dois motivos: primeiro porque não queriam participar no conselho e segundo porque não queria que se viciasse as suas notas.

Então tudo piorou quando um dos directores de turma chegou, lançou as suas notas e de seguida pintou a pauta. Minutos depois o director de classe apareceu para ajustar oito (8) dos seus casos da mesma turma e encontrou a pauta pintada e assinada pelos respectivos professores, dai o problema começou.

Bate boca, nervosismo, injuria e faltas de respeito dominaram o ambiente, mas uma das coisas que memorizei foi a expressão do director de classe que chamou a todos os professores de “anti pedagógicos”. Agora vamos la ver, o chefe com uma turma inteira de casos, pedindo ajuda ainda no primeiro trimestre, para além de que 8ª ,9ª,10ª 11ª agora 12ª classe vinha ajudando estes indivíduos, segundo estes improdutivos lesados por terem sidos chamados de qualquer coisa de anti---, o que será da vida deles? E ainda reside em mim a questão do tipo de escola e direcção esta aqui em relação ao compromisso com qualidade de ensino. Não acho que isto irá melhorar coisa nenhuma enquanto isto estiver a acontecer aqui, proponho que se ampute definitivamente as pernas que fazem com que esta escola ande assim, isto não tem futuro.

Não podemos permitir que nossos futuros filhos encontrem este tipo de vírus. Precisamos de preparar o melhor para eles. Temos que fazer parar o lambebotismo, o puxa-saquismo. Eu já iniciei, preciso da sua forca.
Já imagino as futuras consequências dos 5% de aumento salarial para esta gente, aí vão por pernas para correr com a escola…

sexta-feira, 24 de abril de 2015


Dinis Américo Lufiande
Universidade Pedagógica de Moçambique




A ESCOLA QUE MATARAM

São situações que vale a pena perder o tempo gritando e reportando para o meu diário que nunca é visto pelo grupo alvo que quero que saiba e muito menos pela dita geração de viragem que faço parte, onde uns e os mais poucos perdem o rico tempo pensando em mudar o mundo, sem se interessar com o que mais incomoda na sua própria casa, ou melhor nem se importam com o que está próximo deles mas sim com o que é impossível, e os muitos se tornam ainda mais colonizados pelas redes sociais, o três (3) cem e o swuega.

Vale a pena desabafar no teclado, mesmo sabendo que o melhor seria com a caneta e o papel, porque ainda me conservaria dos futuros problemas da vista, preguiça e ate mesmo da perca da boa caligrafia que foi o resultado de anos de muito esforço, meu e dos que quiseram que escrevesse bem, mas como faço parte desta geração onde a tecnologia no geral e a de informação e comunicação especificamente domina as tais tradicionais, sê que escrever no papel com a caneta é ultrapassado, então ainda não quero ser ultrapassado.

Na verdade aconteceu numa escola da minha pátria amada, onde outrora, ou melhor num passado muito próximo as regras do jogo estavam mesmo acima de qualquer espécie de individuo (repista, swega, dzukuteiro ou pandzeiro) ou melhor resumindo, seja la o que fosse, mas aqui não havia espaço, se era para regular, não tinha como dizer minha calca não tem botão, minha camisa não tem gola e pendurar a gravata na pescoço era uma saída; quando o indisciplinado exibisse os seus dotes, imediatamente era posto fora da sala de aulas e só podia voltar a sentir o cheiro da tinta da escola recém-construída depois de ir consigo o encarregado de educação; o professor não podia pisar o recinto escolar sem bata, porque era como se se sentisse nu em público ou melhor, perante seus pais e filhos e mais outros exemplos que colocavam a escola como modelo na região onde ocupa nessa pátria amada, pois em todo canto da região, ate mesmo a pessoa que mandou construir queria que o seu filho estivesse ali a estudar, quer dizer, na altura a direcção era terrivelmente competente, exemplar, não mostrava as suas fragilidades sê que tinha, pois do jeito que era forte, ninguém sonharia em procurara-las, e isso reflectia até as camadas subsequentes, o professor era o primeiro a chegar antes da hora da sua entrada, seja no período de intervalo, borla ou ausência do professor, o aluno estava sempre na sala, ou melhor nenhum aluno ousava circular por ai de qualquer maneira como o chefe disse. E eu estava la a viver esse regime, desafiei, transformei dificuldades em desafios, fiz a minha parte e sai com sucessos, deixando-lhes a escola ainda com um regime forte e firme.

Desapareci de la, porque outras escolas me tinham aberto as portas para por la eu passar e colher experiências, graças a isso agora ate paro e olho para mim mesmo e até me admiro.
Mas por ironia do destino, alguns anos depois (por ai 4, 5 ou mesmo 6), la voltei, dessa vez não como aluno, mas sim como professor. Faz favor no que vivi. É lastimável. Não. Não dá mesmo. Estiva-se num centro de convívio, onde todos são chefes, onde ninguém queixa a ninguém. Vivi uma situação em que perante a avaliação provincial, o aluno discutiu com o professor por o primeiro não ter regulado e estava na sala de aulas e depois de muita bate boca o professor mandou embora o aluno, cinco (5) minutos depois o aluno no colo da directora pedagógica, esmagaram o professor em frente da turma e por forca superior o aluno entrou na sala e continuou fazendo a avaliação como se não tivesse acontecido nada, como se o aluno tivesse razão, isso me furou o coração, o professor que estava a vigiar a turma, malariou-se logo de seguida e abandonou o seu posto de trabalho. O barulhou não terminou por aqui, soou ate na sala dos professores. Aqui muita coisa saiu das bocas dos que muita coisa boa passam quando eu era seu aluno e o pior disseram, como por exemplo:

- Isto está pior pah, em todos os intervalos os professores tinham direito de tomar um café, mas agora nem se sente o cheiro disso;
- Antes, na sala dos professores assim como em todos os gabinetes, até mesmo na secretaria haviam congeladores e qualquer um seja docente ou não podia beber agua gelada, mas agora esta coisa só conta com uma geleira que esta no gabinete do chefe;
- Agora o aluno chama de TU a qualquer um e pior ao contínuo e já não se fala do guarda e quando alguém quiser impor a ordem, a mãe pedagógica e os padrinhos e advogados da direcção, vão colocar o seu nome na lista negra;
- Agora é um local onde o chefe entra na sala bêbado, dirige-se aos alunos e lança piada enquanto a aula da tal disciplina esta correr;
- O aluno entra e sai quando bem entender, seja organizado ou não sem pedir permissão;
- Os encarregados de educação já nem pisam na minha escola para fazer o acompanhamento do filho, porque já tem padrinhos e filhos que cuidam dos netos;
- É aqui onde o chefe não é conhecido pelos alunos, só foi visto na reunião de abertura do ano lectivo.
- Um dos professores até o final do trimestre só tinha dado duas (2) aulas, mas já se fez a avaliação provincial da disciplina (kkkkkkk);

Então um tal fulano bem organizado, bata limpa sentado na sala dos professores, com um jornal na mão que trosse de casa, depois de ter ouvido todas estas bobagens, concluiu que a sua escola foi morta.

(kkkkkkkk) o mais engraçado está a acontecer em paralelo. O governo reuniu com tudo o que é massa pensante da pátria amada para discutir melhorias da qualidade de ensino e tal como rege o manifesto eleitoral do chefe, a qualidade do ensino assim como da vida do professor ira mudar, dito e já esta acontecer, ora vejamos:
- Primeiro, aumentaram 5% para o chefe, também para o professor superior, 10% para o professor básico e médio, só espero que esta medida aplicada aos improdutivos não acelere o enterro da escola, já que o senhor ministro (chefe) disse que em nenhuma parte do mundo o professor surgiu para ser rico, então toma ai...
- Próximo ano temos pré classe…
Mas na verdade depois de ter auscultado todas estas situações, saí daquela sala confuso, malariado e desnorteado. É que fiquei fazendo uma aritmética muito simples, olha que se em um ano e meio (1/2) a escola chegou a este nível, o que será daqui a pouco?

Faz favor, que alguém apareça e faça alguma coisa, antes que se realize o enterro. E ainda por cima…