Dinis Américo Lufiande
Universidade Pedagógica de Moçambique
A ESCOLA QUE MATARAM
São situações que vale a pena perder o tempo gritando e reportando
para o meu diário que nunca é visto pelo grupo alvo que quero que saiba e muito
menos pela dita geração de viragem que faço parte, onde uns e os mais poucos perdem
o rico tempo pensando em mudar o mundo, sem se interessar com o que mais
incomoda na sua própria casa, ou melhor nem se importam com o que está próximo
deles mas sim com o que é impossível, e os muitos se tornam ainda mais colonizados
pelas redes sociais, o três (3) cem e o swuega.
Vale a pena desabafar no teclado, mesmo sabendo que o
melhor seria com a caneta e o papel, porque ainda me conservaria dos futuros
problemas da vista, preguiça e ate mesmo da perca da boa caligrafia que foi o
resultado de anos de muito esforço, meu e dos que quiseram que escrevesse bem, mas
como faço parte desta geração onde a tecnologia no geral e a de informação e
comunicação especificamente domina as tais tradicionais, sê que escrever no papel
com a caneta é ultrapassado, então ainda não quero ser ultrapassado.
Na verdade aconteceu numa escola da minha pátria amada, onde
outrora, ou melhor num passado muito próximo as regras do jogo estavam mesmo
acima de qualquer espécie de individuo (repista, swega, dzukuteiro ou pandzeiro)
ou melhor resumindo, seja la o que fosse, mas aqui não havia espaço, se era
para regular, não tinha como dizer minha calca não tem botão, minha camisa não
tem gola e pendurar a gravata na pescoço era uma saída; quando o indisciplinado
exibisse os seus dotes, imediatamente era posto fora da sala de aulas e só
podia voltar a sentir o cheiro da tinta da escola recém-construída depois de ir
consigo o encarregado de educação; o professor não podia pisar o recinto
escolar sem bata, porque era como se se sentisse nu em público ou melhor,
perante seus pais e filhos e mais outros exemplos que colocavam a escola como
modelo na região onde ocupa nessa pátria amada, pois em todo canto da região,
ate mesmo a pessoa que mandou construir queria que o seu filho estivesse ali a
estudar, quer dizer, na altura a direcção era terrivelmente competente,
exemplar, não mostrava as suas fragilidades sê que tinha, pois do jeito que era
forte, ninguém sonharia em procurara-las, e isso reflectia até as camadas
subsequentes, o professor era o primeiro a chegar antes da hora da sua entrada,
seja no período de intervalo, borla ou ausência do professor, o aluno estava
sempre na sala, ou melhor nenhum aluno ousava circular por ai de qualquer
maneira como o chefe disse. E eu estava la a viver esse regime, desafiei,
transformei dificuldades em desafios, fiz a minha parte e sai com sucessos,
deixando-lhes a escola ainda com um regime forte e firme.
Desapareci de la, porque outras escolas me tinham aberto
as portas para por la eu passar e colher experiências, graças a isso agora ate
paro e olho para mim mesmo e até me admiro.
Mas por ironia do destino, alguns anos depois (por ai 4,
5 ou mesmo 6), la voltei, dessa vez não como aluno, mas sim como professor. Faz
favor no que vivi. É lastimável. Não. Não dá mesmo. Estiva-se num centro de
convívio, onde todos são chefes, onde ninguém queixa a ninguém. Vivi uma
situação em que perante a avaliação provincial, o aluno discutiu com o
professor por o primeiro não ter regulado e estava na sala de aulas e depois de
muita bate boca o professor mandou embora o aluno, cinco (5) minutos depois o
aluno no colo da directora pedagógica, esmagaram o professor em frente da turma
e por forca superior o aluno entrou na sala e continuou fazendo a avaliação
como se não tivesse acontecido nada, como se o aluno tivesse razão, isso me
furou o coração, o professor que estava a vigiar a turma, malariou-se logo de
seguida e abandonou o seu posto de trabalho. O barulhou não terminou por aqui,
soou ate na sala dos professores. Aqui muita coisa saiu das bocas dos que muita
coisa boa passam quando eu era seu aluno e o pior disseram, como por exemplo:
- Isto está pior pah, em todos os intervalos os
professores tinham direito de tomar um café, mas agora nem se sente o cheiro
disso;
- Antes, na sala dos professores assim como em todos os
gabinetes, até mesmo na secretaria haviam congeladores e qualquer um seja
docente ou não podia beber agua gelada, mas agora esta coisa só conta com uma
geleira que esta no gabinete do chefe;
- Agora o aluno chama de TU a qualquer um e pior ao
contínuo e já não se fala do guarda e quando alguém quiser impor a ordem, a mãe
pedagógica e os padrinhos e advogados da direcção, vão colocar o seu nome na
lista negra;
- Agora é um local onde o chefe entra na sala bêbado,
dirige-se aos alunos e lança piada enquanto a aula da tal disciplina esta
correr;
- O aluno entra e sai quando bem entender, seja
organizado ou não sem pedir permissão;
- Os encarregados de educação já nem pisam na minha
escola para fazer o acompanhamento do filho, porque já tem padrinhos e filhos
que cuidam dos netos;
- É aqui onde o chefe não é conhecido pelos alunos, só
foi visto na reunião de abertura do ano lectivo.
- Um dos professores até o final do trimestre só tinha
dado duas (2) aulas, mas já se fez a avaliação provincial da disciplina
(kkkkkkk);
Então um tal fulano bem organizado, bata limpa sentado na
sala dos professores, com um jornal na mão que trosse de casa, depois de ter
ouvido todas estas bobagens, concluiu que a sua escola foi morta.
(kkkkkkkk) o mais engraçado está a acontecer em paralelo.
O governo reuniu com tudo o que é massa pensante da pátria amada para discutir
melhorias da qualidade de ensino e tal como rege o manifesto eleitoral do
chefe, a qualidade do ensino assim como da vida do professor ira mudar, dito e
já esta acontecer, ora vejamos:
- Primeiro, aumentaram 5% para o chefe, também para o
professor superior, 10% para o professor básico e médio, só espero que esta medida aplicada aos improdutivos não acelere o enterro da escola, já que o senhor ministro (chefe) disse que em nenhuma parte do mundo o professor surgiu para ser rico, então toma ai...
- Próximo ano temos pré classe…
Mas na verdade depois de ter auscultado todas estas situações, saí daquela
sala confuso, malariado e desnorteado. É que fiquei fazendo uma aritmética
muito simples, olha que se em um ano e meio (1/2) a escola chegou a este nível,
o que será daqui a pouco?
Faz favor, que alguém apareça e faça alguma coisa, antes que se realize o
enterro. E ainda por cima…
Sem comentários:
Enviar um comentário